A Casa do Choro, principal centro de difusão, pesquisa e ensino do gênero no Brasil, comemora 10 anos de fundação em 2025 e leva para Goiás uma parte especial de sua celebração: a turnê da Orquestra Portátil, que realiza três concertos didáticos gratuitos nas cidades de Bela Vista de Goiás (26/08), Senador Canedo (27/08) e Bonfinópolis (28/08), sempre às 15h30, em auditórios públicos parceiros.
As apresentações fazem parte de uma agenda comemorativa que também celebra os 25 anos da Escola Portátil de Música (EPM) e os 20 anos da Orquestra Portátil, três marcos que consolidam a trajetória da instituição carioca como referência internacional no ensino e preservação do choro. A iniciativa é do Instituto Casa do Choro, com patrocínio da Transpetro, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura.
Com entrada livre e apoio das prefeituras locais, os concertos têm forte caráter formativo e educativo. A proposta é aproximar crianças, adolescentes e estudantes da rede pública do universo do choro, gênero que surgiu no Rio de Janeiro no século XIX, mas que rapidamente se espalhou por todo o país, enraizando-se também em Goiás.
Cada concerto contará com a presença de 19 músicos no palco, entre professores, alunos e ex-alunos da EPM, reunindo instrumentistas de destaque nacional e internacional. Além de executar obras de grandes mestres da música brasileira, os artistas compartilham com o público informações sobre os instrumentos, a linguagem musical e a história do choro, proporcionando uma experiência interativa e acessível a diferentes idades.
A Orquestra Portátil nasceu em 2005 como prática de conjunto para os alunos da Escola Portátil de Música. Desde então, tornou-se um dos grupos mais importantes do gênero no país, mesclando a potência sonora de uma orquestra com a espontaneidade e a delicadeza características do choro.
Entre os nomes que integram a formação estão o violonista e arranjador Paulo Aragão, o cavaquinista Jayme Vignoli e jovens instrumentistas como os irmãos Everson e Aquiles Moraes, que começaram sua trajetória na EPM e hoje acompanham grandes artistas, como Ney Matogrosso. A regência fica a cargo do maestro e bandolinista Pedro Aragão, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e pesquisador do choro.
À frente da coordenação do projeto está a cavaquinista Luciana Rabello, uma das personalidades mais respeitadas do choro brasileiro e fundadora da Casa do Choro. Para ela, a circulação nacional é um gesto simbólico e necessário:
“O choro é carioca, mas está presente em todo o país desde o século XIX, inclusive em Goiás. Levar a Orquestra Portátil a cidades do interior é um ato de amor à nossa cultura. Queremos descentralizar o acesso e valorizar o choro como expressão viva e contemporânea. A cada apresentação, reafirmamos nosso compromisso de formar músicos e públicos em todo o Brasil”, afirma Luciana.
A relação com Goiás ganha ainda mais força com a presença de artistas do estado entre os alunos da instituição. A cantora e compositora Débora Di Sá, goiana de família tradicional de Pirenópolis, é um exemplo dessa ponte cultural. Com carreira marcada pela pesquisa de repertórios autorais e pela ligação com as tradições musicais goianas, ela ingressou na Casa do Choro em busca de aprofundar seus estudos de piano e acordeon.
“Estudar na Casa do Choro tem sido uma renovação para o meu trabalho. Os professores são referências e, ao mesmo tempo, há espaço para desenvolver nossas próprias composições. Essa abertura fortalece a cena local em Goiás e cria um diálogo vivo entre o choro carioca e a música feita aqui”, afirma Débora.
Mais do que uma série de concertos, a turnê da Orquestra Portátil em Goiás é parte de um projeto maior de circulação nacional, que inclui apresentações também em comunidades periféricas do Rio de Janeiro. A iniciativa reforça o compromisso da Casa do Choro com a democratização do acesso à música instrumental e a valorização da diversidade cultural brasileira.
“Com a comemoração simultânea dos 10 anos da Casa do Choro, dos 20 anos da Orquestra Portátil e dos 25 anos da Escola Portátil de Música, a programação reafirma a vocação da instituição de formar músicos, formar público e manter viva a tradição do choro em diálogo com o presente”, enfatiza Luciana.
26 de agosto (terça-feira), 15h30 – Bela Vista de Goiás
Auditório da Câmara Municipal
27 de agosto (quarta-feira), 15h30 – Senador Canedo
Auditório do Paço Municipal
28 de agosto (quinta-feira), 15h30 – Bonfinópolis
Auditório Municipal José Cândido de Amorim
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